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cidade

Olhar a cidade

pensieriO que significa viver e trabalhar pela cidade na era da aldeia global? Na perspectiva da fraternidade universal, apresentamos uma série de contribuições de estudiosos de várias disciplinas sobre o relacionamento entre a cidade e a fraternidade, em muitas de suas declinações: da economia ao esporte, da política à justiça, aos meios de comunicação. E muito mais. Pequenas e grandes provocações para uma reflexão que leve cada indivíduo ou comunidade a tomar consciência do patrimônio no qual vivemos imersos.


Toda a minha cidade 2

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A minha cidade como forma privilegiada de convivência, que nasce de um pacto feito livremente entre os seus habitantes. Mas como se desenvolve no decorrer da vida a experiência de ser cidadãos? Como se faz “política” numa cidade? Através de uma conversa com os adolescentes, um professor tenta dar as primeiras respostas.


 

 

de Ilaria Pedrini- Trento (Italia)


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Toda a minha cidade 1

tuttalamiacitta1

A minha cidade como forma privilegiada de convivência, que nasce de um pacto feito livremente entre os seus habitantes. Mas como se desenvolve no decorrer da vida a experiência de ser cidadãos? Como se faz “política” numa cidade? Através de uma conversa com os adolescentes, um professor tenta dar as primeiras respostas.

 

 

De Ilaria Pedrini- Trento (Italia)


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A Caritas in Veritate e o projeto cidade

Caritas-in-Veritate1


 

Na última encíclica do Papa Bento XVI está presente o convite a trabalhar mais e melhor para a cidade. Sergio Chiamparino, prefeito de Turim, comentando as palavras do Papa, propõe um novo pacto de cidadania que une nesse mesmo empenho governantes e cidadãos.

 

 

 

 

 

De Paolo Balduzzi


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Aforismos/5

Aforismi52

 

 

"Sou um cidadão, não de Atenas ou da Grécia, mas do mundo".

(Sócrates, filósofo grego)

"Estamos correndo o risco de tornar as nossas cidades em locais aonde os trabalhos vão à frente, mas a vida, no seu verdadeiro sentido, é perdida".

(Hubert Horatio Humphrey)

 

 

 

Aforismi51

 

"A cidade é mestra do homem".

(Simonide di Ceo, filósofo grego)

"A cidade não é apenas um conjunto de tijolos, mas aquela estranha coisa que são os relacionamentos entre as pessoas".

(Italo Calvino)


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Aforismos/4


George-Simmel

 

É bom apenas lembrar que as metrópolis são os verdadeiros palcos desta cultura que ultrapassa e domina qualquer elemento pessoal. Aqui, nas construções e nos lugares de lazer, nos milagres e no conforto de uma técnica que anula as distâncias, nas formações da vida comunitária e nas instituições visíveis do Estado, manifesta-se uma plenitude do espírito cristalizado e se apresenta de forma impessoal tão ultrapassado que – por assim dizer – a personalidade não consegue reger o confronto. De um lado a vida é extremanente facilitada, porque são oferecidas de todas as partes estímulos, interesses, modos de preencher o tempo e a consciência, que a levam quase numa correnteza onde os movimentos autónomos da natação não parecem ser mais necessários. Por outro lado, a vida é constituída sempre mais destes conteudos e representações impessoais, que tendem a eliminar as colorações e as incompatibilidades mais intimamente individuais; assim o elemento mais pessoal, para se salvar, deve dar prova de uma singularidade e uma particularidade extrema; de se exagerar para se fazer notar, também por ele mesmo".

(Georg Simmel, filósofo e sociólogo)

robert-park

 

[…] "A cidade é algo mais do que um acervo de cada homem e de serviços sociais, como estradas, edifícios, iluminação, linhas de ônibus e assim por diante; ela é também algo mais do que uma simples constelação de instituições e de instrumentos administrativos, como tribunais, hospitais, escolas, policias e serviços de vários tipos. A cidade é mais um estado de alma, um corpo de costumes e tradições, de atitudes e de sentimentos organizados entre estes costumes e transmitidos através desta tradição".

(Robert Park, sociólogo)




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Aforismos/3


martini

 

"O futuro da cidade depende muito mais do costume e da cultura dos cidadãos do que da beleza de seus edifícios e do bom funcionamento das instituições".

(Card. Martini: discurso de despedida à cidade de Milão – 28 de junho de 2002)

 

 

 

 

lapira

 

"O que seria da humanidade sem [as cidades], estes centros essenciais do mundo civil… estas ‘unidades viventes’ onde se concentram os valores essenciais da história passada e futura?"

(Giorgio La Pira, 1954)

 


 

 

 

"Uma cidade não é desenhada, ela simplesmente se forma sozinha. Basta escutá-la, porque a cidade é o reflexo de muitas histórias".

(Renzo Piano)


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Aforismos/2

Igino-Giordani

 

 

 

 

Giordani em ‘As duas cidades’, afirmava: “Na política, quais sejam as estruturas, as ideologias e as denominações, perde-se grande parte do tempo, - e se perde saúde e riqueza e também a vida – porque não se consegue estabelecer acordos entre cidadãos e entre os próprios dirigentes: o egoísmo causa contínuos desabamentos ao ponto de reduzir a cidade, quase preludio de bombardeios do alto, a um cúmulo de ruínas morais, cidade dos mortos, onde homens vagueiam como fantasmas, à luz de fogos fátuos”.

Giordani, ‘cristão ingenuo’ como gostava de se definir, sabe onde se pode encontrar nova linfa para as cidades: “E o Evangelho, ao invés, exige uma cidade de vida (…), onde a morte está morta”.

(Igino Giordani, Le due città, p.405)

 

 

 

A cidadania não deve ser um bem gratuito, mas uma tarefa comum, uma condição e uma identidade que estabelece sejam direitos sejam responsabilidades sociais. Isto vale para aqueles que procuram se tornar cidadãos assim como para aqueles que já o são. (Diversidade na Unidade – Manifesto da Rede Comunitária Cf. O documento se encontra no site web: http://www.gwu.edu/~ccps/dwu_positionpaper_italian.html)

 

Aforismi



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Aforismos / 1

Maria_Zambrano

A demagogia adula o povo encorajando a sua força elementar; a demagogia degrada o povo em nível de massa. A massa é uma matéria rústica, um “estar alí” como matéria: significa uma degradação porque distancia a realidade-povo, que é uma realidade humana, de aparência onde a realidade humana atinge o seu esplendor, a possibilidade de viver como pessoa. O que implica responsabilidade e consciência. O demagogo, portanto, despreza o povo de forma consciente ou não, como todo adulador despreza quem adula. E a sua finalidade é somente aquela de reduzir o povo em massa, de degradá-lo em nível de massa para poder dominá-lo. E ser ele o único indivíduo diante da massa, colocando-se acima da massa. (Maria Zambrano, Pessoa e democracia)

 

 

“As cidades se tornaram despejos dos problemas causados pela globalização. Os cidadãos e aqueles que foram eleitos como seus representantes, são colocados diante de uma tarefa que não podem nem sonhar em concluir: A tarefa de encontrar soluções locais às contradições globais”. (Z. Bauman, Fiducia e paura nella città, pg. 19, Mondadori, 2005)


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A cultura da vida

“Na família a vida do outro é tão preciosa quanto a própria? Eis a semente daquela cultura da vida, que deve moldar as leis e as estruturas sociais”.

A vida biológica, da concepção à morte, possui uma dignidade intrínseca, que confere à pessoa um valor em si. Esta dignidade resulta da singularidade psico-biológica, que é um dado científico objetivo, sobre o qual se concorda. Justamente esta unicidade permite colher o valor de cada pessoa, da sua interioridade, daquilo que exprime, para além de possíveis divergências filosóficas, religiosas ou ideológicas. Cada pessoa representa um aspecto único e singular da própria riqueza de vida e pode exprimir plenamente si mesmo na medida em que o contexto ambiental e cultural o consente. Diante das contínuas descobertas da ciência e da técnica emerge cada vez mais a necessidade de orientar a sociedade a promover uma cultura da vida em todas as suas expressões, fases e condições. O valor da vida, unanimemente compartilhado, deveria ser o fundamento de cada compromisso político e social.

A este respeito, provemos evidenciar aquilo que já existe:

1) Na sua cidade existem iniciativas culturais, legislativas, institucionais, de voluntariado, que exprimem uma atenção especial às fases inicial e terminal da vida?
2) Na sua cidade existem experiências de profissionais sanitários, de pesquisadores, de cidadãos, que são percebidas como inovadoras no âmbito sanitário e que olham ao paciente não só de um ponto de vista biomédico (doença – diagnose – terapia), mas como pessoa na sua totalidade?
3) Na sua cidade existem instituições ou experiências de voluntariado que, valorizando a atitude solidária dos cidadãos, contribuem para o percurso de saúde e para a participação da vida comunitária dos doentes, dos portadores de deficiências, dos idosos e de suas famílias?
4) Existem agências sociais que sustentam o desenvolvimento de serviços para pessoas afetadas por patologias específicas?


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Ambiente e educação à saúde

Muitos dos progressos realizados nas últimas décadas no campo da saúde, especialmente nos países mais desenvolvidos, se devem ao saneamento do ambiente e à transmissão de hábitos mais corretos do que no passado. Tanto o primeiro quanto o segundo aspecto exigem, paralelamente a intervenções diretas das instituições, o empenho de agências educativas e à opção dos cidadãos individualmente. Todavia, a educação a hábitos sadios pode contrastar com os interesses de fortes poderes econômicos, como por exemplo, os da indústria alimentícia e do tabaco. Está amplamente demonstrado (muitas vezes com a realização de ações legais de indenização) que estes sujeitos econômicos direcionam, a faixas vulneráveis da população, informações enganosas, voltadas a promover consumos cuja difusão é lucrativa para as empresas produtoras, mas prejudicial para a saúde pública.

Um ambiente sadio e uma educação sanitária apropriada, que contrastem com as mensagens danosas provenientes dos meios de comunicação, são função das instituições nacionais, mas também das locais. Além disso, é oportuno que os grupos de opinião e as associações dos cidadãos cooperem para esta finalidade.

1. Na sua cidade existe um nível adequado de atenção à saúde pública perceptível em âmbitos extra-sanitários (transportes públicos, escola, construção civil, tratamento do lixo, espaços verdes, ciclovias, instalações esportivas, etc.)?
2. Na sua cidade existe um empenho educativo pelos estilos de vida sadios (alimentação, abstenção do fumo e de medicamentos “recreativos”, abstenção do consumo excessivo de álcool, atividade física, divertimento e lazer, etc.)?
3. Através de quais modalidades se procura favorecê-los (na família, na escola e nos outros ambientes frequentados pelos jovens, através dos meios de comunicação de massa e informáticos)?
4. Na sua cidade existem associações de ajuda recíproca para pessoas dedicadas a hábitos nocivos para a saúde?


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Saúde e sociedade. Tomemos as medidas da saúde da nossa cidade

No dia 28 de agosto de 2008 a “Comissão sobre os Determinantes Sociais da Saúde” apresentou ao Diretor Geral da OMS os resultados de 3 anos de trabalhos contidos no volume “Reduzir a disparidade em uma geração: equidade na saúde através de ações sobre os Determinantes Sociais da Saúde”.
A ligação direta entre renda e saúde, chamada de gradiente social, já tinha sido evidenciada no passado, sobretudo pondo em evidência as injustiças e as desigualdades em termos de causas evitáveis de doença, entre países em via de desenvolvimento e países mais ricos. No entanto, aquilo que a Comissão faz vir à tona de modo alarmante, é que existem “gradientes de saúde” até mesmo dentro da mesma nação. A Comissão põe em relevo uma série de recomendações e apresenta exemplos concretos de ações a serem empreendidas para poder atingir o objetivo de “reduzir a disparidade em uma geração.
Este relatório, embora na sua cientificidade e validade, não podia recolher todas as experiências que seguramente, em vários níveis e em diversas dimensões, existem neste sentido em muitas de nossas cidades. Provemos colocá-las em luz partindo de algumas perguntas:

1. Na sua cidade existem instituições ou experiências de voluntariado que visam melhorar a saúde de idosos, portadores de deficiências, crianças, imigrantes?

2. Na sua cidade é garantido a todos igual acesso a bens fundamentais como água, alimentação, casa, eletricidade, emprego, etc.?

3. Na sua cidade há instituições ou experiências de voluntariado que visam diminuir as desigualdades existentes no âmbito sanitário entre classes sociais, entre gerações, entre os sexos?


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