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Nos Bálcãs, entre dor e esperança

speranzaPequenos e grandes testemunhos de uma terra atormentada pelos conflitas étnicos, onde a fraternidade se torna ocasião de restabelecimento social. E onde o ódio deixa aos poucos o espaço à esperança de uma definitiva reconciliação.

De Belgrado - Servia

 

Nos países que nasceram da dissolução da Iugoslávia, a guerra e os acontecimentos dos últimos anos, provocaram, além da morte, violência e destruição, também uma profunda ferida no tecido social.

As tensões existem ainda, em certos aspectos, bastante evidentes entre algumas etnias, como entre os servos e albaneses, ou entre estes últimos e os macedônios.

Em todo o território existe a presença discreta e precisa de um grupo de pessoas ligadas pelo mesmo ideal da fraternidade universal.

Todos nós, jovens, idosos, famílias, cristãos e muçulmanos, nos encontramos diversas vezes para refletir qual poderia ser a contribuição específica da fraternidade na reconstrução social e política de seus países. As emergências de fato, se concretizam ainda hoje em diversas frentes: aqui aparecerão apenas duas, em síntese.

•    Olhando ao redor, vimos nos refugiados de Kosovo, que fugiram da guerra em seu país, uma oportunidade privilegiada para partir dos mais necessitados, enfrentando uma das questões mais espinhosas. Em Belgrado encontramos umas vinte famílias refugiadas, que além da ajuda material, precisavam de escuta e amizade.
Começamos a agir, e algumas delas conseguiram encontrar moradia e um trabalho readquirindo assim a segurança e a fé neles mesmos.

Para os de Kosovo, a visão de família como clã é muito importante, é parte da cultura deles. No entanto a fraternidade abriu o coração deles, ao ponto de um deles dizer: “você é a primeira pessoa a quem conto estes meus problemas”.

•    Na Servia ao invés foram organizadas as férias para jovens e as famílias de todas as etnias presentes no país e, com surpresa de todos, vieram também 10 jovens kosovitas.

Durante as férias, uma noite, os jovens se reuniram para cantar: os servos começaram a tocar a música deles e os albanesese de Kosovo se levantaram. Depois de um momento de suspensão, vimos eles dançarem ao ritmo da música serva. O mesmo fizeram os servos quando os de Kosovo cantaram suas canções. Estavam presentes dois políticos que comentaram assim: “Esta é uma noite histórica, irrepetível! Assim deveria ser na política: saber reconhecer-se como irmãos, para se amarem com o coração”.

•    Outro nosso amigo muçulmano ao invés, estava no hospital para visitar um parente. A um certo momento percebe o desespero de uma senhora que não podia garantir o sangue para seu pai para uma operação urgente.
Quando soube que tinha o mesmo grupo sanguíneo, se ofereceu para doar o seu chamando também os outros amigos, resolvendo a situação.
Saindo do hospital a senhora correu até eles para agradecê-los, descobrindo que seu pai, um macedônio foi salvo por albaneses. “O sangue não conhece etnias” foi o título de um jornal local no dia seguinte.

 

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