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Educação alimentar para as crianças de uma cidade

childrenA ação de uma pediatra em um hospital de Recife. O acordo com os seus colegas que querem viver pela fraternidade os torna mais sensíveis aos problemas dos seus pacientes. Nasce assim um projeto para uma alimentação correta que envolve toda a região.

por Maria Aparecida de Araujo - Recife (Brasil)

Meu nome è Maria e sou médica, especializada em pediatria. O ideal da fraternidade deu sentido à minha vida, mas principalmente transformou a minha vocação profissional.

Há alguns anos atrás ouvi falar que Chiara Lubich encorajava as pessoas que atuavam no mesmo ambiente de trabalho a se colocarem de acordo para viverem juntos o espírito da fraternidade naquele determinado lugar; um acordo visto como uma oportunidade para se tornar mais atentos e receptivos aos problemas da cidade e dos locais de trabalho, melhorando as suas estruturas para o bem de toda a coletividade. Esta proposta me fascinou.

Trabalhava no ambulatório de um hospital de Recife, como pediatra, e lembrei-me que ali tinham pelo menos duas pessoas que poderiam partilhar comigo essa escolha: já conheciam e viviam pela fraternidade. Comuniquei logo o meu desejo de nos colocarmos de acordo e elas aceitaram. Parecia fácil nos encontrarmos a cada manhã renovando o empenho de viver pelos pacientes e colegas, comprometendo-se diante dos outros, mas não era: tínhamos que vencer o respeito humano, os raciocínios, os julgamentos. Contudo, lentamente e sem perder a coragem, cresceu um relacionamento mais humano entre nós – colegas – e com os pacientes, e isso nos fez mais vigilantes em dar respostas mais concretas às suas necessidades, compreendendo plenamente os seus sofrimentos.

Um dos problemas mais urgentes era aquele da desnutrição infantil, devido, inclusive, à situação de pobreza daquelas pessoas com uma escassa instrução e informação sobre isso. Para respondermos a essa necessidade começamos um programa dirigido às mães das crianças: uma proposta educativa para informar sobre os riscos ligados a uma má alimentação,  e à utilização da medicina caseira.

Depois de um trabalho de sensibilização dos profissionais e para vencer algumas resistências, conseguimos que a administração criasse uma cozinha especial. Ali as mães, os profissionais e os estudantes do Departamento de Nutrição da Universidade fizeram um curso teórico-prático de habilitação no qual toda a equipe ensinou como valer-se de uma alimentação alternativa, escolhendo alimentos baratos, mas de alto valor nutritivo, utilizando um método que preserva a cultura da receita popular da região. Este programa nos deu a oportunidade de curar muitas crianças, encorajando a participação dos pais, que recuperaram a confiança no processo de restabelecimento de seus filhos.

Por causa deste programa fomos convidados pela Secretaria do Estado de Pernambuco para encaminhar o mesmo programa em outros municípios da região. Por volta de três anos nós o aplicamos em cerca de 50 municípios diferentes obtendo resultados concretos. Este trabalho foi valorado positivamente e apresentado em algumas conferências sobre saúde, sendo também objeto de monografias.

Foi uma verdadeira experiência de fraternidade com os meus colegas. Nunca teríamos pensado em todos esses desenvolvimentos do projeto que nasceu unicamente da nossa  disposição e da nossa pequena medida de amor para com os pacientes da nossa cidade.

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